08 - ANÁLISE CRÍTICA DO TRABALHO DOS TRÍPITICOS

 




Em relação à primeira imagem da composição da aluna Maria Luisa de Sousa Paulino, percebe-se uma interessante utilização de luz e sombra, em que as camadas tendem a se dissolver, criando um efeito visual fluido de transição do mais escuro para o mais claro. Além disso, há um certo mistério, pois não se identifica claramente o que a imagem representa — o que a torna ainda mais interessante, já que sua força está justamente no fato de não precisar representar algo específico.

Essas transições entre luz e sombra também se evidenciam nas outras imagens, especialmente na última, onde os tons claros ganham colorações azuladas e esverdeadas. Vale destacar, ainda, a pixelagem e a textura presentes nas fotos, que contribuem para a estética geral da composição.

Entretanto, o mistério se quebra na imagem central, onde é visível uma folha de papel, seu corte e a textura da superfície. Isso reduz o caráter enigmático percebido nas outras. Além disso, a composição das três imagens não favorece a harmonia: elas ocupam o plano de forma desigual, com a última imagem sangrando na margem e a primeira mantendo um espaçamento leve, o que compromete o grid.

A imagem central apresenta um recorte “picotado”, com o tom de branco estourado, o que indica uma possível fonte de luz externa e contrasta com a última imagem, na qual a presença de luz já não é percebida com a mesma intensidade.

Por fim, a geometrização aparece apenas em duas das imagens, o que, na minha percepção, gera um certo estranhamento na que não utiliza esse recurso.




Os planos são bem utilizados pela aluna Maria Luisa de Sousa Paulino, trazendo uma sensação de imersão à fotografia. As três imagens se relacionam de forma coesa, e a imagem central funciona como uma espécie de lupa, destacando os mínimos detalhes dos objetos observados. As transparências do objeto contribuem para esse efeito imersivo, enquanto as tonalidades de azul permanecem em harmonia, fortalecendo a composição. O slide, como um todo, direciona o olhar naturalmente para as imagens. A textura do objeto é interessante, remetendo à água, e os pontos de luz reforçam esse efeito “molhado”.

No entanto, a imagem central apresenta um desfoque que, apesar de transmitir certo mistério, rompe com o equilíbrio da composição. Além disso, em minha percepção, o nível de saturação pode comprometer a estética, gerando um leve desconforto visual. Os contrastes acentuados da imagem central também interferem na harmonia geral, funcionando quase como um ruído dentro da proposta.


Comentários

Postagens mais visitadas