23 - FICHAMENTO LIÇÕES DE ARQUITETURA - HERMAN HERTZBERGER

Em Lições de Arquitetura, Herman Hertzberger desenvolve uma crítica à arquitetura autoritária, que projeta formas fechadas e ignora a complexidade da vida cotidiana. Para ele, a arquitetura deve ser pensada a partir do uso e não como algo definido pelo arquiteto de maneira definitiva, mas como um processo que se completa com a apropriação do espaço pelos usuários.

A ideia de estrutura aberta é central, haja vista que Hertzberger defende projetos que não determinem por completo seus modos de uso, mas que ofereçam suporte, estímulo e liberdade para que as pessoas se apropriem dos espaços conforme suas necessidades, ritmos e modos de vida. Isso exige pensar o edifício como algo que está sempre em construção simbólica, afetiva e funcional.

Outro conceito importante é o dos espaços intermediários, definido como as zonas de transição entre o público e o privado que, muitas vezes, são negligenciadas nos projetos. Para Hertzberger, escadas, corredores largos, halls, beirais, nichos e pátios são fundamentais para promover a convivência, o encontro e o sentimento de pertencimento. Esses espaços não têm função determinada, mas é justamente aí que reside seu valor social e arquitetônico, são lugares onde a vida se manifesta com espontaneidade. O que podemos perceber bastante na Escola de Arquitetura da UFMG, haja vista sua construção "descontinuada" ao longo do tempo, forçando uma adaptação cruzada entre espaços que já existiam com os novos. Isso, por muitas vezes, cria corredores ou passagens não projetadas, como também as escadas que funcionam para além do seu uso principal que é de circulação vertical.

Ele destaca a importância de projetar levando em conta os gestos simples e repetidos, os objetos comuns, os percursos habituais. A arquitetura, portanto, precisa dialogar com o corpo e com o tempo, permitindo que o espaço se adapte às mudanças e mantenha sua vitalidade ao longo dos anos. Sendo assim, Hertzberger não recorre à forma como ponto de partida, mas à experiência. Ele nos convida a pensar o projeto como uma estrutura de possibilidades, onde o valor está menos em impor uma imagem e mais em permitir que o espaço seja vivido de forma rica e plural.

Pensando a partir da Escola de Arquitetura da UFMG, é possível perceber como esse pensamento se transmite nas experiências cotidianas do prédio, como espaço de passagem e permanência, a praça ao lado da escola, os bancos improvisados, o uso do Diretório Acadêmico, os usos inesperados do pilotis e até a vivência prática da dialética entre espaço privado e público. 

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